27 julho, 2017

Conheça a pratica da Kwan Um

Se vc. quer conhecer o estilo de pratica da Escola Zen Kwan Um, todas as terças pela manhã entre 11:55-12:55 haverá um encontro online, via Ustream no You Tube. Basta acessar o link e aguardar o relógio zer. Alguém vai aparecer. Um professor, JDPSN, que conduzirá a pratica, em inglês.

Pratica online

Para acompanhar os cantos baixe o libreto aqui.


30 minutos de meditação

Dois cantos: Heart Sutra em inglês e Great Dharani


Leitura um trecho Compass Of Zen, ZM Seung Sahn



Perdão x Carma

Muitas pessoas acham que o perdão cura erros ou marcas. Acho que não. O perdão é uma invenção judaico-cristão. Um paliativo. Uma trégua. Mas o que se fez está feito. No âmbito do carma é como uma marca. Pode ser leve e desaparecer com o tempo. Pode ser profunda e ser levada conosco vida após vida. Supomos que vc. mate alguém. Não há como desmatar esse alguém pedindo perdão à família do morto. O carma se fez e ele é seu. As consequências serão suas também. O mais correto é evitar a ação, o carma. Só isso evita as consequências de uma marca cármica. Portanto não acredito muito em perdão.

Pode-se pedir desculpas, pois vivemos em sociedade e somos educados, mas mesmo o perdão é um ato difícil de se instaurar naquele que pede depois de ter agido mal, de caso pensado ou não. E é difícil para a vitima que está sofrendo as consequências da ação de quem lhe feriu com alguma ação. Se aceitamos, num primeiro momento, esse movimento de pedir perdão-perdoar é porque estamos apenas repetindo um padrão aprendido desde criança. Mas no fundo a marca está lá e para muitos é difícil esquecer.

O que muda não é o perdão, mas mudar os padrões. 

Uma boa ferramenta para diminuir os efeitos do carma é fazer prostrações. No zen faz-se 108 por dia,.Mas se o seu caso é muito, muito grave, não há limite. Quanto mais se faça melhor. Todavia, se vc. nunca fez prostrações comece aos poucos e perceba o que acontece. Se não lhe fizer bem, avalie a situação e deixe essa prática de lado. Mas, obviamente, que sendo um tipo de detox, as prostrações, tendem mais ao desconforto físico e mental que ao conforto.


Posso tomar remédio para dor da meditação?

Quem nunca tomou um relaxante muscular durante um retiro? Eu não lembrava dessa possibilidade até ouvir de três pessoas, que haviam tomado. Fiquei revirando meu passado e lembrei que sim já tomei quando tive uma tendinite no pé. E outra no pulso. Talvez no início seja comum, mas com o tempo deve-se aprender a aguentar a dor. Se existe uma dor cronica, que já existia, pode-se evitar longos retiros, ou tentar sentar na cadeira. Perguntaram-me: Tomar esses analgésicos influencia na meditação? Não sei dizer. Nunca havia pensado nisso. O analgésico traz um bem estar físico. Sem esse incomodo a mente fica livre para se entregar a meditação? Também não sei dizer. Tenho pra mim que tomar por tomar relaxante muscular, para pular essa etapa do incomodo físico, é, como cortar caminho numa corrida. Soa como trapaça. Enquanto uns estão ali vivendo suas dores outros estão vivendo outras sensações. Antecipando o treinamento, porque, sim, o sentar-se em meditação, é um treinamento, muito mais físico que mental. Mas vencido o processo físico, o mental se fortalece.
Então se eventualmente vc. tem muitas dores há que primeiro tentar corrigir sua postura e respiração para depois, muito depois pensar num analgésico. Mas que ele não seja a sua primeira opção.


Por outro lado cada vez mais temos gerações pouco tolerantes a dor, a frustrações e a esperar. Isso pode dizer muito sobre quem lança mão de um recurso mais imediato. "Não quero sofrer." 

Às pessoas que me perguntaram sobre as dores eu falei da necessidade de aprender a respirar corretamente. A respiração centrada no hara, ou diafragma, aquece o nosso corpo, porque produz calor, o chamado ki. Quando aprendermos a usar o ki na meditação, o desconforto das dores diminuem bastante em alguns momentos até desaparecem. Vejam esse post que escrevi sobre como usar a respiração a nosso favor na meditação. E este Como respirar corretamente. E esse Meditação zen fortalece o hara.




Também é importante fazer bastante alongamento antes e depois da meditação, até aprender a usar o ki, o alongamento vai resolvendo as dores. 

25 julho, 2017

Surpresas acontecem

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Lembrei de uma vez que estava fazendo o caminho de santiago. Num dos albergues havia uma coreana. Ai fui conversar com ela. Perguntei se ela era budista. Ela ou se fez de desentendida ou não sabia o que era. Se declarou cristã. Para mim foi um pequeno choque. Eu brasileira praticando no budismo e uma coreana não ser budista. Mas é assim mesmo. Já se foi o tempo em que você precisava seguir a religião dos pais, dos avós. Mesmo num país onde a religião predominante é oposta a sua escolha. Agora é tudo... Não ainda não é tudo junto e misturado. Infelizmente, ainda não posso dizer esse chavão.

Não faça nada

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Há uma premissa no zen budismo que diz: "Não faça nada." Dependendo de como quisermos entender essa frase pode soar como comodismo, descaso, não tô nem ai, etc. Mas fazer ou não fazer pode ter consequências que não podemos quantificar.

Há pessoas que sentem um chamado para ajudar, para serem solidárias, para doar-se, para lutar, ou se envolver em eventos de combate às  injustiças cotidianas.

Então se vejo alguém roubando numa loja devo ignorar e fazer de conta que não vi ou chamar o segurança?

O fato é que aquela pessoa que está roubando já fez o seu carma e eu chamar o segurança não vai mudar o carma dela. Eu não sei quem é a pessoa, não sei se essa pratica é corriqueira, ou se é a primeira vez, se está sozinha, ou se pertence a uma grupo. Tudo que parece apenas um fato a primeira vista, quando a ação é desvendada muitas coisas ocultas tomam forma.

Não fazer nada indica que devemos deixar que o tempo haja no ritmo que lhe convém. Que as coisas tomem o rumo que devem tomar por si sós.

Ah, mas eu posso impedir que algo mais grave aconteça. Talvez sim, talvez não. Se vc. quer pagar pra ver e assumir as consequências, pode ir em frente.

Mas não tente concertar o que não está quebrado. Apenas tente ver sem apego a situação e se ela demandar sua intervenção ok, mas se não deixe fluir com o momento. 


Na cozinha com o Tenzo: Como fazer missoshiro

really like it :D #japanese #soup:

18 julho, 2017

Na Cozinha com o Tenzo: Como fazer gersal

Como o nome diz gersal é o combinado de gergelim torrado e moído com sal marinho.
É um dos ingredientes servidos para temperar as refeições quentes e salgadas nos mosteiros zen budistas ou em retiros (sesshin) zen budistas estilo japonês.

Para o gergelim não queimar segure a panela sobre a chama vá sacudindo a mesma para 
que o gergelim fique em movimento e não estale saindo da panela. Prefira uma panela com teflon alta e com cabo. Ao moer no liqui delique e verifique se ainda há sementes inteiras ou d~e umas sacudidas no liqui para que a moagem seja homogênea. Guarde num potinho ou num saleiro. Use com moderação. Não para temperar a comida em preparo. É para usar sobre a comida já pronto.
O gersal é usado nos retiros para temperar o Okayo que é uma papa de arroz sem nenhum tempero, servida como primeira refeição do dia.

Fiz com quinoa em grão e também ficou bom. Mas o tradicional é feito com gergelim.

Como fazer GERSAL:

Exibir-se para Existir

Diga como você se exibe e lhe direi qual é o seu vazio.

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"Nada do que possamos alcançar nos faz dignos de louvor, nem de nos acharmos superiores aos outros. 

Só a bondade e a humildade nos ajudam a nos elevarmos e se constituirão como suportes da nossa felicidade no caminho. 

 As pessoas completas são as melhores porque não têm necessidade de competir ou de ter razão. 

Também não precisam aparentar ou mentir, pois o que são aparece nas suas atitudes, na sua moderação e no seu saber estar. 

 Por isso a humildade tem como base o respeito pelos outros e a amabilidade. 

Esse é o pano de fundo dos olhares sinceros, autores destes sentimentos que nascem do coração.

Mas há pessoas que, infelizmente, estão tão vazias que seu ego faz muito barulho. Este tipo de gente não faz mais que se exibir e se vangloriar,não contempla a realidade emocional alheia e precisa demonstrar o seu valor através de palavras ocas e portas entreabertas. 

Este vazio desolador é consequência de uma baixa autoestima, da ausência de possibilidades e de uma educação emocional pobre. Por isso sempre é preciso e importante trabalhar os nossos vazios, carências e capacidades."

Fonte:

Andar o caminho com os sapatos do outro

16 julho, 2017

Na Cozinha com o Tenzo: Como fazer Okayo

Okayo é uma papa e arroz servida como primeira refeição em retiros (sesshins) zen budistas e mosteiros. É uma comida que demanda de tempo de preparo por isso deve-se ter em mente que não se faz de última hora.

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O arroz usado é o arroz japonês, mas não aquele que se faz susshi ou moti. Um arroz branco de qualidade grão pequeno. Na falta desse pode-se usar o arroz cateto ou o integral.

Deve-se lavar o arroz seis vezes ou deixar de molho da noite para o dia seguinte. E depois ainda lavar mais algumas vezes para tirar bem o amido.

Escorrer. Colocar em uma panela com água fria. Cozinhar em fogo alto até ferver. E depois em fogo baixo até virar uma papa.

Em alguns mosteiros pode ser cozido no chá verde torrado.

A quantia depende de quantas pessoas vão comer.

Pode servir mais para sopa ou com pouca água. Nos retiros é mais ralo.


Se vc. quiser fazer para vc. uma refeição meia xícara está bom.

Não tempere antes.

Depois de pronto tempere com gesrsal, pimenta e pode-se acrescentar alguma conserva.
Nos retiros as conservas servidas são de repolho, Umeboshi (cereja em conserva), nabo, ou gengibre.

Em casa pode-se acrescentar algum legume ou verdura.

14 julho, 2017

Na Cozinha com o Tenzo: Como fazer Dashi

O caldo dashi é a base do misoshiro por isso é importante saber fazê-lo antes de aprender a fazer o misoshiro.

Dashi é um caldo base para usar em outras preparações. O dashi é um caldo de peixe bonito desidratado,  e alga kombu.

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Como não é fácil achar os ingredientes é possível comprar envelopes de dashi já pronto que acrescenta à água quente. São encontrados em lojas de produtos orientais.
Ou pode-se comprar a alga, o bonito em flocos.
 Já encontrei o dashi desidratado em potes.

Caso queira fazer:

Acrescente a água quente aos poucos a alga kombu, mexa suavemente e deixe ferver em fogo baixo por 10-12min.
Com um pegador ou um rashi remova a alga.
Coloque aos poucos os flocos de bonito (peixe desidratado) e mexa devagar para misturar bem a água.
Depois de um minuto retire a espuma que se formar na superfície com uma escumadeira e deixe ferver mais 2 minutos. Coe, esprema o bonito. Descartar o peixe e reservar o caldo.
Depois de frio, caso não use de imediato, guarde na geladeira. Dura quatro dias. Então só faça quando for usar.


Morimoto's Dashi Stock
Dashi

Ichiban Dashi | Chef Taro:

Welpac Dashi Kombu Dried Seaweed:


Budas pela casa


Certa vez alguém esteve na Índia e trouxe muitos budas para distribuir entre conhecidos. Esses dois sobraram na leva e os recebi como doação. Estavam no meu altar. O mais escuro, em terracota diz (o mudra): Ouça. O claro, em mármore diz: Medite.

Tenho meditado muito sobre a pessoa que me deu esses budas. Era sincero, de coração ou sempre foi falso, só para se sentir querida, amada, coisas desse tipo. 

O do meio é o bodisatva Kannon com o Buda Amitaba sob a cabeça.

Talvez fiquem bem como buda da cozinha e do banheiro. Mas antes um banho de sal, e depois um banho de sol.

13 julho, 2017

Como aplicar o budismo no dia a dia e vencer o ego? | Monja Coen



Não sabia que Coen tinha mencionado um caso que acorreu numa sanga em Floripa. 
Eu já não frequentava mais esse lugar, mas o cara eu conheci. Fiz retiros com ele. 
Ele tinha problemas mentais. Tomava remédios controlados. Parece que ouvia vozes. 
Foi muito triste perde-lo para vozes na cabeça. 

O excesso de zazen pode ter feito mal para ele. Pode ter despertado algo na mente dele que poderia ter ficado no fundo sem vir a tona. Mas, as razões de fato, nunca saberemos. A mente nós é muito desconhecida. Por isso o Buda enquanto estava sob a árvore Bodhi se perguntava incessantemente Quem sou?

Se ele descobrisse que era um doido talvez não fosse adiante no caminho. Se ele descobrisse como superar sua mente doente e então ir adiante, ele seguiria sua prática. Mas ele tinha uma visão avançada. Nós não sabemos quase nada sobre nossa mente.

01 maio, 2017

Método Zen: Esvaziar ou encher a mente

Quando vamos a retiros zen budistas e de outras escolas budistas também, o professor pode nos pedir para fazer tarefas que tem um único objetivo: esvaziar a mente. em geral essas tarefas tem a ver com trabalho físico. Zezen é um trabalho mais físico que mental. O tempo que se passa sentado em zazen exige uma disciplina mental, sim, mas resistência física ao desconforto de se ficar sentado também.

Muitas pessoas desprezam os afazeres domésticos achando que estão perdendo tempo produtivo. pessoas mais intelectuais tendem a achar que perdem tempo limpando a casa e lavando a louça e que podem perfeitamente delegar essas tarefas a terceiros (serviçais pagos para isso). Não sabem a magnifica oportunidade de esvaziar a mente que desperdiçam cotidianamente.

Há os que ficam entediados com tarefas do dia-dia, mas não tem que faça essas tarefas então ligam o som e enchem a mente de letras e ruídos para ilusoriamente terem a sensação que o tempo dedicado a essas tarefas passou mais rápido. Mais uma vez desperdiçaram uma nobre oportunidade de esvaziar a mente. 

Em geral, o que se usa no budismo para encher a mente é repetir um mantra. Recitar um sutra, ou cantos. 

Ambos métodos são importantes e cada um deve saber identificar o seu. se não souber o professor pode, observando seu aluno e conversando com ele, recomendar o que ele deve fazer. Se esvaziar ou encher a mente.

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Certo dia precisava cortar a grama. A máquina não funcionava. Então eu peguei a tesoura de cortar grama. Ajoelhei num plástico e fui cortando, ao todo dois quadrados de 3x3 metros. Lentamente, sem suar, pois atrairia os mosquitos. Levei quatro dias ali ajoelhada cortando a grama, mas minha mente ficou tranquila nessa tarefa. Observei o olhar das pessoas e imaginei o que estariam pensando ao me ver cortando grama de forma mais rústica, pouco usual nos dias de hoje. Talvez me achassem doida, sovina por não ter uma máquina ou por não pagar a alguém para fazer o serviço rapidamente. Mas desde aquele dia decidi só cortar a grama assim, para esvaziar a mente. Ninguém jamais saberá as razões de eu cortar a grama assim e seguirão pensando o que quiserem, mas eu sei e é isso que importa.

03 abril, 2017

O espelho


Quando você se incomodar com alguém, alguma ação ou comentário ao vivo ou online deixe passar o tempo. Uma semana, duas, um mês. Até que essa vontade ou impulso de responder, cutucar ou revidar passe. Tudo passa e nada é tão urgente que mereça uma resposta imediata. 

Os mestres o são em grande parte, porque sabem por freios na ansiedade dos seus discípulos. Os alunos apresados ou que querem tudo para agora, logo se cansam de não ter suas demandas atendidas e vão procurar alguém que lhes sirva, ou desistem. O bom aluno sabe seu lugar e sabe esperar. Pode lembrar de tempos em tempos de algo, pois até professores se esquecem, mas jamais vai precionar com expressões do tipo: "Ou isso ou nada."

O outro é nosso espelho, mas nós também somos espelho. Minha reação ao que vejo, ouço ou leio por ai me ensina muito. Não é o que sou porque não sou completa. Estou sempre sendo e des-sendo. Procurando ver com o rabo do olho o que me afeta mais e ajustando-me  na frequência menos ruidosa.


08 fevereiro, 2017

Corpo e mente num só lugar


Assim vivemos. O corpo anda por ai acéfalo, porque a nossa mente viaja ininterruptamente por tudo que nos ocorre, mesmo quando dormimos.

Mas quando meditamos temos a oportunidade de puxar o fio e assentar essa mente. É um treino que leva a vida toda, mas precisa começar um dia.

Comece já.

Não deixe sua "cabeça"-mente viajando por ai.

14 janeiro, 2017

Coisas que aprendi no Zen Budismo: Usar um calçado dentro e outro fora de casa


É costume em algumas culturas usar um calçado para dentro de casa e outros calçados para fora de casa.

A cultura oriental e a árabe são as que me ocorrem no momento. Em algumas casas há uma espécie de armário onde se guarda os calçados de uso interno quando se sai de casa e pega-se o calçado de uso externo ou ao contrario. Não temos muito esse hábito por aqui. Usamos o mesmo calçado na rua e dentro de casa. Lembrei desse detalhe porque fui com uma tia numa loja de móveis e ela comprou uma sapateira, uma estante com porta que serve para guardar calçados.

Eu tento usar um chinelo dentro de casa e outro lá fora. No verão uso esse de borracha e no inverno, as pantufas. Mas para dificultar as coisas o meu chinelo é da mesma cor, então eu tive que marcar um dos pares para saber quem é quem. É uma forma de treino de atenção, mas mesmo assim eu me esqueço e saio com o par de uso interno. Então eu tento lembrar da frase:"Olhe para os pés." Quando eu lembro de olhar para os pés eu vejo se estou com o par certo no lugar certo. 
Coisas que aprendi indo a retiros zen budistas. 

Não que eu já não soubesse usar calçado diferente dentro e fora antes de me tornar zen budista, mas há coisas que a gente sabe e esquece. 

Retiros Zen de Carnaval 2018

Coso você seja do tipo que no Carnaval quer distância da batucada vai aqui algumas opções de Retiros Zen pelo Brasil e fora do país. A maior parte das opções são na tradição do Zen Soto, japonês. Passe o mouse sobre o texto para visualizar os links.


Retiros Estilo Zen Escola Kwan Um (Coreano/Americano)

Fora do Brasil é possível encontrar muitas opções nesse período, porém é preciso se programar com antecedência, sobretudo se o país exige visto.

Na Escola Zen Kwan Um temos o Grande Retiro de Inverno-Winter Kyol Che que acontece durante 90 dias (janeiro-abril).

Nele é aceito a permanência de no mínimo uma semana ao longo desses 90 dias. Se vc. vai para USA, Europa ou Asia nesse período dê uma olhada na programação dos seguintes Mosteiros:

Providenze Zen Center,USA

2016 Winter kyol che - Providence Zen Center - Retreat Center - Diamond Hill Monastery - Meditation Retreat

Kyol Che Registration Mais info e inscrição nesse link
Entradas e saídas aos sábados. Mínimo de permanência: uma semana.
Won Kwang Sa Hungria

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Retiros Estilo Escola Zen Soto (Japonês)

SP-São Paulo-Templo Bushinli- Saikawa Roshi -Hoon SesshinContato 

RS-Porto Alegre-Sangaku Sesshin na Sanga Águas da Compaixão -Isshin Sensei-aguasdacompaixao@gmail.com ou na página da Sangaku Sesshin

ES- Ibiraçú-Mosteiro Morro da Vargem- Monge Daiju Sensei
Inscrições somente por telefone (27) 32573030 e mais info no site do mosteiro.

Outros Locais ou Mosteiros:

Enkoji (Itapecerica da Serra, SP)
Zengenji (Mogi das Cruzes, SP)




Retiros Estilo Soto/Peacemakers (Japonês/Americano)

SP-São Paulo-Monja Coen Sensei (Soto)/Roshi (Peacemakes)


No Dojo da Monja Coen/Coen SenseiNehan Sesshin. Mais infos na Agenda do site do Zendo Brasil.  O retiro acontece no Zendo em SP. Faça contato pelo link da página ou pelo fone (11) 38655285 email: zendobrasil@gmail.com

SP-Pedra Bela-Templo Zen Budista Taikanji

Contato

RS-Viamão-Monja Coen Sensei- Monge Dengaku 

Via Zen-Nehan Sesshin 



Fone: 95796776 Jion 
ou 8119-0287 Shoden


Os retiros ainda podem ter alguma mudança  portanto contate seus organizadores para confirmar datas e valores.

12 janeiro, 2017

Livro: 108 Contos e Parábolas Orientais

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Esse livro é excelente. Há várias edições somente com as histórias. Mas o diferencial nesse são os comentários que a monja Coen faz. Trazendo fatos de sua trajetória monástica. As histórias dão a oportunidade de dar exemplos de fatos reais, que ela presenciou, viu ou teve a experiência própria deles.

Tentar explicar essas parábolas ou contos pode ser uma cilada. Interpretações são como portais abertos para o infinito. Poucos tem conhecimento de mundo, maturidade de prática, experiência, não da leitura e do saber intectual, mas do testar em si mesmo. Monja Coen teve o cuidado necessário.

Isso me lembra uma outra historia que também gosto e não está no livro.

"Um homem ia casar e portanto como era costume no oriente procurou um mestre de caligrafia para que ele escrevesse algo auspicioso para os noivos. Um dizer, um provérbio, um conselho em caracteres, escrito em uma tabuleta de madeira que é colocado em um lugar visível para que quem mora na casa sempre veja e lembre de viver de acordo com o que ali está escrito. Muitos templos e centros zen tem algo assim em algum lugar escrito.

Então o mestre pegou seu pincel e escreveu numa tabuleta os caracteres para "Cuidado!"
O homem olhou e achou que uma palavra era pouco e pediu que o mestre escrevesse mais alguma coisa. O mestre escreve;"Cuidado!" Sem entender e um pouco frustrado com o que o caligrafo havia escrito, ele insistiu que o mestre escrevesse algo mais. O mestre escreveu: "Cuidado!"

Uma caligrafia assim está gravada na armação de madeira que sustenta o telhado  de um Mosteiro Zen Budista onde fui fazer retiro. Poucos veem isso, mas, às vezes, algum professor usa-a de expediente para sua palestra do dharma. 

Minha única ressalva ao livro é a citação da palavra "koans" na introdução, e  na contracapa e em uma ou outra página interna , Há pouco de koans no livro. Quase nada. Monja Coen foi aluna de Maezumi Roshi que foi treinado inicialmente no Rinzai e portanto tinha experiência de koans, mas depois Maezumi se associou ao Soto Zen que não usa mais koans. Entendo que pode ser uma isca editorial para atrair o leitor.

Há no leitor brasileiro uma atração natural por kaans devido aos primeiros livros que foram publicados no país falarem sobre koans. Eu recebo muitas consultas sobre esse assunto já que na Escola Zen Kwan Um, talvez uma das únicas que use os koans como ferramenta de treinamento, ser a escola onde pratico. Mas ao mesmo tempo me vejo na ingrata posição de decepcionar essas pessoas porque não temos no Brasil ainda uma pessoa, um mestre (a) de koans. Na minha Escola Zen e acho que em todas que já usaram kaons,somente um mestre pode pedir koans ao aluno, ou quem quer que lhe solicite. Isso é frustrante para aqueles que querem ter acesso aos koans, mas ao mesmo tempo que é uma barreira e uma proteção. Você não vai deixar uma "criança" brincar com fogo.

Explicar Koans não ajuda a resolvê-los. E tentar achar um por quê para certas histórias pode ser um bom argumento para a leitura, mas para o praticante não leva a lugar nenhum. Não se deve resolver os koans ou dar pistas sobre a sua resolução. Isso é algo muito próximo da ansiedade ou da trapaça.

Ninguém pode fazer o caminho do despertar pelo outro. Mesmo que um cão seja um cão independente de ele ser de Joshu ou de Coen. Os koans são uma ferramenta importante no processo de abertura da "mente que não sabe". Aquela mente não racional que fica debaixo de camadas e camadas de lixo que se acumula com pensamentos e padrões racionais.

Um cão é um cão e tem vida de cão por razões e circunstancias que podem ter a ver com seu carma. Ele se comporta como um cão porque só sabe viver assim.
Já o homem que sabe que é homem se comporta como tantas coisas, menos como ser humano.
Quem sabe quem é quem? Será que dei pistas?

Acho essas histórias muito inspiradoras. Mas a maioria delas não são koans. São histórias. Acontecimentos, registros, parábolas. São uteis para ensinar, para inspirar, para dar aquele insight. Um clic em algum momento. Por isso elas existem e foram copiadas e divulgadas em vários idiomas. Se alguma delas te trouxer de volta para a tua verdadeira  natureza, a intenção se cumpriu. Assim como se cumpriu com muitos dos personagens descritos nessas histórias. Um detalhe, um olhar, um barulho, um tapa na cara, um tropeço, Enfim, em algum momento eles despertaram.

Que seja apenas mais uma leitura agradável ou que você tenha insights preciosos isso não importa. Livros são livros e alguns cumprem seu caminho outros não servem nada sem que sejam testados.
Mas cuidado, nem tudo pode ser testado por todos. Como diz o mestre de caligrafia, sempre lembre do que está escrito na tabuleta: "Cuidado!"


04 janeiro, 2017

A falta de atenção que mata

Um sinhozinho tinha deixado o carro em frente a garagem. Quando me viu varrendo a calçada veio apressado, se desculpando disse que não era para multá-lo porque ele tinha ido ali no despachante só um minutinho. Falei que tudo bem, nessa garagem não entrava carro, só mais adiante. Ele saiu com carro e eu continuei varrendo. Então ele voltou e me perguntou se eu conhecia a mulher ali adiante. Era a vizinha que estava na calçada do prédio. Disse que era a vizinha, mas não sabia seu nome. De fato, ela se mudou faz pouco tempo e não sei seu nome. O senhor perguntou se ela o havia multado. Ele estava com fixação ou trauma em multas, acho, mas nem me ocorreu. Só perguntei na minha ingenuidade costumeira. Por que? Ele respondeu que era porque ela não parava de escrever no celular. Ah, meu senhor. Hoje todo mundo é assim. Não para de escrever no celular. Ele ainda desconfiado entrou no carro e se foi. Poderia ter se metido em uma discussão desnecessária por uma bobagem. Poderia morrer por uma bobagem. Mas essas bobagens são na maioria das vezes decorrentes de falta de atenção ou achismo. Um segundo que nos distraímos e lá se vai a paz, um braço quebrado, ou até a vida. As pessoas vivem num mundo muito particular onde ruminam constantemente consigo mesmas e onde suas necessidades egóticas de defesa e seus medos de auto proteção são os bips que disparam primeiro. Nosso instinto natural, que deveria ser usado para nos proteger, acaba nos metendo em confusões, se a gente não consegue distinguir o que é realmente uma ameaça do que não é ameaça. Não custaria gentilmente esclarecer a situação. Ou mesmo apenas parar e observar por um tempo antes de tomar qualquer atitude. 

Dormir, dormir... talvez sonhar...... Frase de William Shakespeare.

Por falta de atenção morre-se todos os dias. A pouco um cara morreu cortando a grama porque não examinou a extensão e não viu que o fio estava desencapado. O fio tocou na água da piscina e ele morreu. Quantos eletricistas já morreram trocando uma lâmpada? 

Eu mesma que pratico no Zen e faço meditação não estou imune da desatenção. Preciso lembrar de lembrar de estar atenta constantemente. Cair no sono profundo da realidade é tão rápido como um estalar de dedos. Como diria Shakespeare em Hamlet:"Dormir, dormir, talvez sonhar,Quem sabe assim ficaria melhor: Dormir, dormir, talvez tropeçar.  

Não caia no sono profundo da desatenção.